segunda-feira, 9 de julho de 2012

GE – parte 1: onde tudo começa.

Relatos de uma GE – parte 1: onde tudo começa.

Agora que tudo chegou onde chegou, percebi que falar sobre o  assunto não e fácil, porem a idéia de escrever, ou digitar que seja, esta me parecendo terapêutico. Ontem vi um recado de uma das meninas no blog, o qual acabou reforçando a idéia de compartilhar o que passei. Talvez ajude alguém, talvez seja uma meio de informação. Não tenho objetivo alem de simplesmente compartilhar e desabafar. A quem de alguma forma me entenda, um super obrigado, então vamos la:

Pensei em relatar desde o inicio do fim ou seja, desde o rompimento da trompa e hemorragia interna, porem o inicio real dessa gestação foi alguns dias depois da concepção, (quanto houve a fixação do zigoto). ai que minha G.E. gestação ectópica, realmente começou.

Sempre tive acompanhamento regular em ginecologistas, mantendo-me saudável, com o exame papa Nicolau em dia e afins. Depois que nos casamos, naturalmente começamos a planejar nosso bebe. Na verdade sempre planejamos, tanto que antes mesmo de casarmos eu já havia parado de utilizar anticoncepcional. Nosso método de controle, desde então, foi baseado na tal da tabelinha e funcionou direitinho. Por cerca de um ano sem o uso de medicação pude estabelecer meu ciclo constante. 24 dias, raramente 23, nem dias a mais nem dias a menos. Contudo, deixamos rolar e evitamos os dias férteis na idéia de que era hora de meu organismo livrar-se do uso constante do anticoncepcional oral, mais de 15 anos. (ta certo que muitos médicos afirmam que não tem que ter essa desintoxicação, que o uso constante é seguro e bla bla bla, porem se pode deixar de usar, porque não faze-lo? Parei de tomar.)
A idéia era sonharmos com um baby no ano de 2013, para tanto tínhamos que levar em conta que o nascimento teria que ser para depois de minha formatura. Loucura planejar, mesmo porque sempre acreditei que na verdade nunca existira um dia perfeito. Idéias de melhorar o espaço, de ter mais condição financeira etc etc etc acaba adiando sonhos de muitas pessoas.. ao contrario disso, sempre fui do tipo de pessoa que acredita que na vinda de um bebe as coisas se ajeitam em volta... mesmo assim- semi plenejamos.
Digo semi, pq tudo e relativo nessa hora. Mil palpites de todos os lados. Alguns apoiando, outros perguntanto qndo iríamos tentar, e outros, ainda, falando para deixarmos para mais tarde (declaro abertamente aqui que senti raiva desses últimos... pq deixar para mais tarde? A escolha e nossa, não somos crianças, temos nossos sonhos e podemos realiza-los! Pronto falei.) mas voltando:
Os meses foram passando e tudo estava bem. Correria com construção, mudança, novos bichos de estimações etc etc etc. Apos alguns meses, resolvemos brincar de tentar engravidarmos. Estávamos felizes e faceiros, tínhamos nosso cantinho, nossos bichinhos, uma certa estabilidade, muito amor e vontade de materializar nossa imensa ligação em formato de uma pele rosada, com cheirinho irresistível e risadas contagiantes.
 Fiz os cálculos e nos colocamos aos treinos. Na primeira tentativa, aos 24 dias menstruei. Foi estranho, mas não chegou a ser frustrante. Nos dois meses seguintes idem, porem senti desconforto. Ao nos depararmos com tal, percebemos o quanto era fácil cair na  “pira de engravidar”. E muito fácil entrar nessa cilada, mesmo, acreditem.
O pessoal fala que desencanar ajuda, mas como desencanar?
Você foca em um sonho, imagina uma vida toda, e ate sonha com nomes, anda em tudo que e canto, vê nenéns, famílias, brinquedos, vitrines de roupinhas e pançudas desfilando com suas lindas barrigas pelas ruas. Pergunto novamente: como desencanar?
Faculdade  a mil, estágios, trabalhos e pos graduação, foram pratos cheios para o tal desencanar... mas a proposta do marido foi fundamental e certeira - não faça contas, deixe comigo.

Faço controle semestral com a ginecologista, e resolvi marcar um horário para checarmos se estava tudo ok. Digo checarmos no plural porque tenho um marido companheiro. desde que estamos juntos, nunca fui a ginecologista sem a companhia dele, a primeira vez que ele perguntou se eu queria companhia (perguntou, não pediu), hesitei, porem respondi que queria e me permiti dividir com ele um pouco mais de mim; desde então, ele entra no consultório sim, acompanha o exame sim, conversa com a medica tanto quanto eu e ainda assiste na telinha a colposcopia. Parece estranho, mas a medica gosta muito dessa conduta, as vezes esqueço de perguntar algo e ele acaba perguntando, ficamos todos muito a vontade e saímos da consulta sem duvidas e muito bem esclarecidos. Não acho que os maridos que não são assim estejam errados, porem acredito que eles perdem muito, o Adri pode falar melhor sobre isso.

Antes de casarmos fizemos exames básicos, sangue, urina, DST e ate o espermograma, porem optar por engravidar aumenta consideravelmente os exames a serem feitos.
A medica que nos acompanha tem muitos pacientes, ela é extremamente competente e profissional o que resulta em dificuldade de horários e agendas lotadas. Ao ligar para marcar uma consulta, sempre tenho em mãos meu ciclo menstrual e também prováveis dias de menstruação, não posso correr o risco de marcar uma data e no dia estar menstruada.
Marquei para a data mais próxima dia 20 de junho de 2012, um mês a esperar. Pelas minhas contas meu ciclo encerraria três dias antes, perfeito.

O mês voou, eu e marido formulando as perguntas que faríamos a medica e como informaríamos a ela que queríamos um bebe.
Eis que a data para minha menstruação falhou. Tínhamos focado tanto na consulta que a preocupação passou a ser:menstruar bem no dia e perder o horário...
A menstruação não veio e fomos na medica. Conversa para la e para cá, informamos que queríamos engravidar, ela contou os passos, os exames, inclusive passos seguintes, hormônios, exame nas trompas etc etc etc... um rol de opções que teríamos, passo a passo, um de cada vez, caso o anterior falhasse. Coletou material para o papa Nicolau e pediu os primeiros exames preparativos, o que incluía a prolactina para ver a quantas estavam meus horamonios. Nesse momento conversamos sobre meu ciclo que era perfeito 24 dias: Estávamos nos 28 e nem sinal.
Bingo! A possibilidade de já estarmos grávidos veio a tona, junto com o pedido do exame do beta.
Fazendo um parênteses aqui, claro que passou vagamente pela nossas cabeças que o atraso era estranho... claro que passou pelas nossas cabeças que poderia ter algo ali, acontece que eu tinha tooooodooosss os sintomas habituais de minhas tpms. Cólica leve, dores dos seios, embora essas tenham sido diferentes pq não passavam nunca, espinhas no rosto e um mau humor do djanho. (Adri fala que eu viro pitbull). Acho que ficou mais fácil fazer de conta que não era, por medo de acreditar que era e no final não fosse, complicado isso, mas é isso mesmo.
Agora era diferente, a medica disse....
Saímos dali doidões. Passamos na primeira farmácia e compramos um teste de urina. Chegamos em casa a noitão e, embora na embalagem falasse- para qualquer horário do dia, optamos por coletar a primeira urina do dia seguinte.
Antes de dormimos, olhamos um para o outro com olhos brilhantes cheios de esperança. Amo você. Eu amo mais. Boa noite.
Bem quietinha, rezei, pedi para que nessa noite não tivesse um sinal vermelho, pedi para que dentro de minha barriguinha, nosso neném estivesse se desenvolvendo. Dormi sorrindo.
Seis da manha, correria, fomos nos arrumar para enfrentar a rotina de toda quinta feira. Não resisti, corri para o banheiro peguei o teste de gravidez, mirei o xixi, como um arqueiro profissional e fiquei olhando. Não precisou dos três minutos, e em 10 longos segundos (mulheres que já fizeram esse teste sabem do que estou falando), os dois riscos fortes apareceram: POSITIVO.
Corri para a cozinha pulei a cavalo no Adri e dei a noticia: - tem neném na minha barriguinha!
Não vou nem tentar descrever o momento mágico, só sei que foi mágico. O dia todo tornou-se mágico, um segredo mágico.

No dia seguinte, dia 22 de junho confirmamos com o exame de sangue. Estávamos definitivamente entrando em uma nova etapa de nossas vidas: GRAVIDOS.

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